lançamento em movimento

invento o cais e sei a vez de me lançar*

um ‘N’ no meio e os caminhos são iNversos

laçar: prender com laço

laNçar: arremessar


como na maioria dos lançamento de livros, o(a) autor(a) fica sentado(a), resolvi fazer o lançamento do “mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!”, caminhando!

depois do lançamento (sentada) em Salvador/BA, no dia 12/agosto (pra ver fotos pode clicar aqui), passei a inventar cais e lançar este livro verde pra todos os lados.


e nesse ziguezague do 'N' tenho feito lançamentos em movimento, por muitas cidades, ao mesmo tempo, de um livro verde e vivo.




então é assim:

caminho pelas cidades, acho lugares (cais) e deixo um livro livre solto vivo. depois sigo andando e imagino que quem encontrar o livro viverá uma festa de lançamentos.

passamos por Itapetinga/BA, São Paulo/SP, Mutuípe/BA, Santa Maria da Vitória/BA, São Félix do Coribe/BA, uma praia deserta, Itaparica/BA, ferry boat (travessia Itaparica > Salvador/BA), Vale do Capão/BA, Feira de Santana/BA, Brasília/DF, Porto Seguro/BA, ponte Juazeiro/BA - Petrolina/PE e Santo Amaro/BA.

seguimos em movimento. lançamento. laçamento


aqui alguns registros das festas:

o primeiro lançamento aconteceu em Itapetinga, num domingo, à beira de uma lagoa, debaixo de um sol quentinho de inverno, com maçã do amor e algodão doce, ao redor. além de tudo isso, cinco minutos depois que deixei o livro e segui, soltaram uns fogos no céu e um pipoqueiro passou, me dando tchau.
foi exatamente assim e não foi um sonho. 

parque da lagoa
  
parque da lagoa


parque da lagoa


praça do artista

praça do artista

em frente à biblioteca municipal


em São Paulo, o primeiro lugar em que o livro ficou foi no metrô, exatamente na estação Paraíso e, já do lado de fora do trem, chegamos a ver a hora em que uma moça pegou o livro nas mãos e começou a ler e o vento do movimento do metrô levou essa imagem e deixou o coração aos pulos.

no metrô, na estação Paraíso

na 31ª bienal de são paulo

na 31ª bienal de são paulo

na 31ª bienal de são paulo

na praça benedito calixto


em Mutuípe, antes de eu embarcar num ônibus de volta pra Salvador, andei pelas ruas desertas também de um domingo e, quando avistei o galpão onde é montada a feira da cidade, todos os sábados, vi meu cais. havia uma única “barraca” semi-montada, quase no centro do galpão e foi lá que o livro ficou.
em Mutuípe também, ganhei de presente esse texto (pra ler pode clicar aqui), escrito por Maryse Brito e outros tantos carinhos.

no galpão da feira

no galpão da feira
no galpão da feira

no galpão da feira

em frente à Casa de Cultura
  
em Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe, a sombra de uma árvore é o melhor lugar pra se ler um livro. lá em Santa Maria da Vitória, no final da rua dos doidos, avistei um barco viking e foi nele que atravessei o rio Corrente, pra deixar o livro aos pés do sanfoneiro, de São Félix do Coribe.



na rua dos doidos, de Santa Maria da Vitória

na rua dos doidos, de Santa Maria da Vitória

à sombra de uma árvore, em frente à Casa de Cultura/Biblioteca Campesina,    também em frente à Cesta do Povo

à sombra de uma árvore, em frente à Casa de Cultura/Biblioteca Campesina,    também em frente à Cesta do Povo

à sombra de uma árvore, em frente à Casa de Cultura/Biblioteca Campesina,    também em frente à Cesta do Povo

à sombra de uma árvore, em frente à Casa de Cultura/Biblioteca Campesina,    também em frente à Cesta do Povo


aos pés do sanfoneiro de São Félix do Coribe (no pé esquerdo)

aos pés do sanfoneiro de São Félix do Coribe

aos pés do sanfoneiro de São Félix do Coribe, entre o sol e a parabólica!


numa praia deserta, aliás numa praia no deserto, na maré mais baixa, do dia de yemanjá, o livro foi lançado numa das pedras onde ela costuma cantar, na esperança de que quando a maré encher, ela venha buscá-lo, pra depois cantá-lo.
numa praia deserta, numa praia no deserto
 


numa praia deserta, numa praia no deserto

em Itaparica, no balanço dessa praça, onde catei uns primeiros poemas pelo chão e onde fui aprendendo o movimento da vida, o mesmo das ondas do mar, lancei o livro.
depois segui, com minha mãe, que me levava criança, nessa praça, pra ver o sol se pôr.

no balanço da praça, da vida


no balanço da praça, da vida




exatamente no meio da travessia Itaparica>Salvador, no ferry boat Dorival Caymmi (porque tinha que ser), o livro foi lançado em alto mar, seguindo o movimento das ondas e das marés.

lançamento em alto mar

ferry boat Dorival Caymmi
 



no Vale do Capão, sobre todas as coisas ditas e também não ditas, de em telefone público quebrado, deixamos o livro. seguimos caminhando adiante, por 2 horas e quando voltamos, pelo mesmo caminho, um pouco antes de passarmos pelo telefone de novo, uma moça e um rapaz vinham caminhando em nossa direção; ela segurava o livro aberto e vinha lendo o seguinte poema do livro, em voz alta:


nenhuma solidão

resiste.

celular, facebook,

skype, televisão.

tanta solidão

reside.


ficamos paralisadas, felizes, com o tanto dito e não dito, que chegou desse lançamento-encontro-movimento.

no "orelhão" quebrado



na rua do Vale

em Feira de Santana, depois de uma tarde de fogos de artifícios, esperamos o anoitecer e lançamos o livro, em frente à biblioteca municipal, nessas cores dessa hora. 



 
em Brasília, 3 livros ficaram na Unb e 1 no aeroporto.
alguns dos lugares que me pareceram fora das quadras.
no aeroporto, o livro ficou como eu ficava, pequena, dentro do carrinho de supermercado e eu fiquei um pouco lá também.
na universidade de Brasília, eram muitos cais.
primeiro uma cadeira das escolas de minha adolescência, no meio do caminho pra biblioteca, sob o sol e o olhar atento de uma coruja, às 3 da tarde; depois um painel-porta-cartazes sem cartaz nenhum e ainda uma coluna que segurava com algumas palavras toda uma desestrutura.
agora, mais esses livros viajam por aí, como eu viajava dentro do carrinho de supermercado.
e cada vez que deixo um livro, me viro e sigo andando, meu coração é aquela corrida do avião, antes da decolagem.




















em Porto Seguro, quando cheguei, perto desse video line, começou a tocar “samba de uma nota só” - tom jobim. e soube que era ali, meu cais









na fronteira Pernambuco-Bahia, lançamento Peba em movimento, sobre o rio São Francisco e sob um vento que misturava tantos versos em meus cabelos: “eu não sou eu nem sou o outro, sou qualquer coisa de intermédio: pilar da ponte de tédio, que vai de mim para o Outro”1; “entre Petrolina e Juazeiro, canta”2; “agora, entre meu ser e o ser alheio, a linha de fronteira se rompeu”3...

mais um livro lançado e sigo me perguntando: quem vai laçá-lo, alcançá-lo, no meio dessa(s) ponte(s)?






ponte entre Juazeiro/Ba e Petrolina/Pe

em Santo Amaro, finalizamos esta série de lançamentos em movimento, no meio da praça, em frente à matriz ("lugar onde uma coisa se gera ou se cria"). um bom lugar. daqui, outros cais.









 
* Cais, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos 


1 Mário de Sá-Carneiro, 2 Caetano Veloso, 3 Waly Salomão
 

Nenhum comentário: