domingo, 7 de junho de 2015


há 10.000 anos eu agarro
nuvens com as mãos e plantei um navio
na sola do pé,
e, há exatamente 10 anos, lancei um primeiro livro de poemas.
de lá pra cá sou
um cachorro na janela do carro a 100 quilômetros por hora e ainda
não sei bem onde colocar as mãos.
procuro a ponta do durex sobre
a superfície transparente dos dias e sigo
contando segredos pras estátuas das praças.

há exatamente 10 anos lancei um primeiro livro de poemas.
que são 10.000 anos,
de um bordado em aortas, horas com minhas mãos, horas
com as mãos de silvana, horas
com nossas mãos dadas. fazendo
das palavras, imagens
flutuantes. comemoramos.

porque 10 anos não é nada, mas é tudo