quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

2015 no fim e essa estroboscópica piscando. sem parar:


estroboscópica

2012 foi o fim do mundo
de Nostradamus,
mas afinal insistimos, continuamos

[depois de todas as montanhas russas
terem sido tomadas por black blocs
de balaclavas, cantando em coro
uma música punk rock feminista.

depois de um motim de bocetas
terem invadido a catedral de Moscou
gritando contra os eternos loopings
de mulheres violentadas.

e depois de uma estudante brasileira e um jovem russo,
num leilão na internet,
venderem a virgindade
pra um documentário australiano.

em meio a tudo Xuxa, anunciou os abusos
sexuais que sofreu até os 13 anos
e cientistas acreditam que descobriram a partícula
de Deus]

2012.
o fim do mundo de Nostradamus,
mas afinal insistimos, continuamos.

mesmo com essa Sibéria no peito,
Pussy Riot presas,
sonhos desfeitos
e essa roleta russa em brasas.

sábado, 21 de novembro de 2015

selfie poesia

gravamos esse selfie poesia numa tarde, final de agosto e hoje, nesse fim de novembro, meus cabelos já cresceram e as cadeiras 
aqui de casa estão todas de cabeça pra baixo.

mas sim, os encartes de discos, com as letras de música, que li cantando pra minha mãe, enquanto ela costurava à noite, continuam sendo meu primeiro contato com a poesia.

selfie poesia, projeto de Cazzo Fontoura e Jorge Augusto, que apresenta poetas vivos, vivas!

aqui, uma tarde de agosto, nessa manhã de novembro:


  
     

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

sábado, 12 de setembro de 2015

poema de julho, em setembro

há uma semana,
nesses dias menos quentes, em que a duração das noites alonga, recebi
um dos prêmios mais luminosos
de poesia do mundo, minha sobrinha
de 16 anos, que vive no vale do capão,
disse que meu livro de poemas mora
em sua cabeceira, ao alcance
direto de seu coração
(e de suas amigas)
e me mostrou vários poemas
do livro fotografados
em seu celular, que ela leva
aonde quer que vá.
há uma semana,
nesses dias menos quentes, em que a duração das noites alonga, percebi
que já valeu escrever
(quase) tudo que escrevi

domingo, 7 de junho de 2015


há 10.000 anos eu agarro
nuvens com as mãos e plantei um navio
na sola do pé,
e, há exatamente 10 anos, lancei um primeiro livro de poemas.
de lá pra cá sou
um cachorro na janela do carro a 100 quilômetros por hora e ainda
não sei bem onde colocar as mãos.
procuro a ponta do durex sobre
a superfície transparente dos dias e sigo
contando segredos pras estátuas das praças.

há exatamente 10 anos lancei um primeiro livro de poemas.
que são 10.000 anos,
de um bordado em aortas, horas com minhas mãos, horas
com as mãos de silvana, horas
com nossas mãos dadas. fazendo
das palavras, imagens
flutuantes. comemoramos.

porque 10 anos não é nada, mas é tudo

sexta-feira, 20 de março de 2015

vésperas-esperas



nasci chorando, não sorrindo, assim.
vestida de sangue, não de manga e maresia, assim.
no caminho desses anos tenho nascido de novo, muitas vezes.
uma mecha branca começou a brotar em minha cabeça, bem acima do terceiro olho e tenho
me perguntado se não sou um unicórnio.
tenho dúvidas sobre o que sou.
e quando se nasce de novo tantas vezes, é mais difícil saber.
nascer não é fácil.
mas é bom.
parto flutuando
pra mais um dia não amniótico, entre
pastas de dente, medalhas enferrujadas e marujos que me acenam por detrás de janelas entreabertas.
a vida, ela explode.
cheia de sangue, manga, maresia, nesses dias de choros, risos, riscos.
eu nasci amanhã.