domingo, 8 de fevereiro de 2009

curriculo


meu nome
eu mesma.
meu endereço em mim.

meu cadastro de pessoa física
este corpo,
que dentro é céu e é jardim.

meu registro geral
não foi registrado

e desde meu nascimento,
numa quarta-feira de cinzas,
nutro certo encantamento,
por tudo que não é numerado.

meu telefone
anda ocupado,

uma família de pássaros fez um ninho
bem no fio da minha linha
desde então, ali só se aninha
o canto de uma mãe que espera.
pra falar comigo,
só mesmo depois da primavera,
quando do nascimento do novo passarinho.

minha formação profissional

segue um caminho
amador.
insisto no amor.

minhas atividades atuais:

pensar na vida
e uma corrida sem fim à beira-mar...
encontrar saídas e
encontrar entradas,
para essa vontade desmedida
de viver, de amar.

por fim,
minhas referências pessoais,

é melhor que eu não diga
ou que você pergunte a ninguém...
elas serão sempre mais.

mais verdadeiro

é que você descubra,
na convivência comigo,
meu tempero,
minha loucura,
minha ternura,
meu desassossego...

então?
é meu, o emprego?


6 comentários:

☆Fanny☆ disse...

Olá Karina!

Que bom encontrar-te na blogosfera! A tua mãe é um anjo, sabias?

Conheço a tua escrita não só através dela, mas também da tua tia Sueli que tão bem formata os teus poemas!

Bem-vinda à blogosfera!

Estarei por aqui de vez em quando!

Beijinhos com carinho aqui de Portugal!

Fanny

Camila disse...

Tá contratada!!!!!!!!

Meu amor, virei aqui toda hora!

Um beijo sem tamanho!

tomazmusso disse...

melhor poema do ano!!

Anônimo disse...

eh seu o emprego! me ligue...
bjos
rosa

Zelinda Barros disse...

Quem é louco de não dar emprego à tão sensível poeta?

GERALDO MAIA disse...

A FELICIDADE É BELA

É tão belo quando chegas de dentro do silêncio
Para a infinita solidão de meus braços
É tão bonito quando irrompes inquieta
De dentro desse sonho azul sem janelas
Parece um pássaro depois de esquecer nas
Esquinas sua pétala de vento
Um pequeno mar solto no vazio que em
meus olhos tua ausência plantou feito um
cálice cego e mais belo ainda é quando chegas
Feito um milagre com asas
Em meu coração louco de espera
E tua entrega ecoa num clarão desnudo
É lindo quando teu corpo sussurra
No dialeto da ternura a tradução da saudade
Que meus dedos recitam verso a verso
Até que esteja escrito no inverso de tua pele
O poema estranho e selvagem
Da felicidade

beijo,

com carinho,

geraldo maia