sexta-feira, 18 de novembro de 2016

amanhã



























o melhor lugar pra iniciar essa levitação de poesia é o Baile Surrealista, de Henrique Sampaio - o primeiro a nos abrir as portas e, especialmente os braços, pra essa poesia espacial. 

estaremos lá ao lado, justamente, da poesia de Henrique e de Mariana Paim. uma alegria. e alegria continua sendo a prova dos nove.
 
amanhã, todas as BRs levam ao Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana, porque festa também é lugar de poesia.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

vai começar:


























sim, os tempos são de peso, de pêsames, mas porque “cantar parece com não morrer”, é que no meio desse furacão doido (doído), divido aqui a alegria do início de nosso procurando a ponta do durex na superfície transparente dos dias”.
é uma espécie de livro novo, sem papel.

vamos começar a desenhar poemas holográficos no ar e tentar aumentar ao máximo o som dessas brechas desse cotidiano apertado, ao longo desse 2016 tão asfixiantemente apertado.


a maioria dos poemas são inéditos, tanto em palavras quanto em vídeos, é um livro lido vivo, com imagens e sons diversos. um livro utopier. uma levitação de poesia.

serão 4 cidades. começamos por feira de santana, no dia 19 do 11. de lá seguimos pra belo horizonte, depois recife, até pousarmos em salvador, com o quase-verão nos bolsos.

vamos amplificar a poesia. audiovisual, falada, escrita, sonora, ao mesmo tempo, porque “das várias maneiras de fazer poesia, preferimos todas”. vamos juntas, silvana rezende e eu e mais outras(os) parceiras(os) de poesias, convidadas(os) do coração, em encontros intergalácticos minúsculos!

é poesia ou poesia.

sábado, 11 de junho de 2016



em junho os caracóis
aparecem nas calçadas e as portas
incham, pra quase não
fechar, deixando abertas
as possibilidades. chove
dentro dos quartos e com os colchões
molhados, temos a chance de dormir
no chão da sala. em junho
os caracóis aparecem
nas calçadas e desaparecem
navios de meus
8 anos, sob o sopro de salitre
que embaça a vitrine
onde guardo
a infância e outras quinquilharias. os caracóis
em junho, aparecem nas calçadas e faço
acordos com a gravidade,
pra levitar ao menos
2 centímetros acima desse líquido
escuro que escorre da boca
de tantos e cai sobre
as máscaras e os caracóis nas calçadas
de junho.

segunda-feira, 14 de março de 2016

talvez aos 50, me torne
a andarilha errante que não
fui aos 20, solta
como a menina descalça, com seu
violão de brinquedo, perambulando
pela rodoviária de Itaberaba, descobrindo
vias cobertas de pó, descansando
sob sombras de ipês
roxos, jogando
totó nos bares de beira
de estrada, fazendo gol
com os bonecos sem cabeça,
vermelhos desbotados, grudando
os olhos nas nuvens. talvez
aos 50 eu faça aquele número
de trapézio que sonho
desde os 16 e segure
com as mãos bem firmes, os pulsos
do vento, pra depois aprender a reviravolta
das cambalhotas e então me soltar sem
lembrar se tem
rede ou não. sim,
aos 50 talvez
eu encha envelopes de depósito
de cheques, com pipoca e corra
pela rua jogando
essas pequenas flores brancas
de milho pelo chão, como pistas de algum
caminho até lugares
inseguros, onde eu possa
chorar à vontade
sob o sol das duas
da tarde, sem me preocupar
em seguir ou voltar. aos 50
talvez sim eu vire
a surfista com o sol tatuado
no corpo todo, que sempre quis
ser e leia ondas, enquanto
visito o vácuo com braços
pássaros e me exibo
de cabeça pra baixo, num floater
sem platéia, jogando
os sacos de areia da matraca
do meu pensamento, pra fora,
em cada aéreo coreografado
com as espumas. talvez
aos 50, quando voltar
a ler este poema, eu seja
tudo isso mais
(era) uma vez.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

2015 no fim e essa estroboscópica piscando. sem parar:


estroboscópica

2012 foi o fim do mundo
de Nostradamus,
mas afinal insistimos, continuamos

[depois de todas as montanhas russas
terem sido tomadas por black blocs
de balaclavas, cantando em coro
uma música punk rock feminista.

depois de um motim de bocetas
terem invadido a catedral de Moscou
gritando contra os eternos loopings
de mulheres violentadas.

e depois de uma estudante brasileira e um jovem russo,
num leilão na internet,
venderem a virgindade
pra um documentário australiano.

em meio a tudo Xuxa, anunciou os abusos
sexuais que sofreu até os 13 anos
e cientistas acreditam que descobriram a partícula
de Deus]

2012.
o fim do mundo de Nostradamus,
mas afinal insistimos, continuamos.

mesmo com essa Sibéria no peito,
Pussy Riot presas,
sonhos desfeitos
e essa roleta russa em brasas.